O meu, o seu e o nosso

O meu, o seu e o nosso

A humanidade em geral entrou numa onda de individualismo achando que se trata de individualidade. Individualismo é quando o sujeito compreende que tudo é a seu respeito e para ele mesmo, já a individualidade diz do que é próprio de cada sujeito, sua personalidade e maneira de existir no mundo. Essa confusão tem dificultado o funcionamento das relações.

Cada indivíduo tem coisas que são suas, que dizem respeito a si e gostos seus. O fato de estar numa relação não muda a questão acima, mas pode trazer problemas quando o que é seu não pode ser do outro e esse outro insiste em ter. Dividir em uma relação é perfeitamente normal e esperado, mas existe algo chamando limite que define o título do texto: existem coisas que são minhas, coisas que são suas e coisas que são nossas. O fato de morarmos na mesma casa com duas ou mais pessoas não significa que tudo é nosso. A TV pode ser, mas a escova de dente não! E os que lutam pelas suas coisas (suas legítimas) muitas vezes são tachados de chatos e egoístas que não dividem nada. Ouço histórias antigas de famílias que dividiam as roupas dos filhos que crianças aceitavam, mas quando cresceram lutaram para ter suas roupas e decidir quando os irmãos iam ou não usar! 

Então não se deve emprestar coisas minhas e nem devo pedir emprestado? Pode e deve quando quer e também precisa aprender a pedir. O que viola o limite é o uso desautorizado e deliberado do que é do outro. Consegue lembrar quando alguém usou algo seu sem sua autorização? Lembra do sentimento? E quando você usou o que era do outro? Acordos bem definidos a respeito do que é nosso evita conflitos a respeito do meu e do seu. E isso não se trata somente de coisas e sim de afetos e abusos. Quando usamos o amor do outro, a energia do outro, a fraqueza do outro em nosso próprio beneficio sem nenhum cuidado ou permissão estamos ultrapassando os limites. E nós podemos ser aqueles que permitimos o uso e não reconhecemos nossos limites. 

Decidi escrever esse texto por perceber na clínica que muitas pessoas se queixam das invasões e usos impróprios de suas coisas e de si mesmo e não conseguem romper com a situação. Quando não conhecemos a nós mesmos, não temos coragem de dizer não, pois podemos afastar o outro e isso causa muita insegurança, mas relações maduras são aquelas que permitem limites honestos e saudáveis. A psicoterapia tem sido eficaz quando nos propomos a encarar nossas dificuldades e lutar para que nossas relações sejam saudáveis. Assim, as definições de meu, seu e nosso serão naturais na caminhada da vida.

Érika Renata - Psicóloga (CRP 04/37587)

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